(N.) 1889, Lisboa // (F.) 1915 (aos 26 anos), Lisboa
Foi o Mestre Ingénuo de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e do próprio Pessoa, apesar de ter apenas a instrução primária. Surgiu a Pessoa no dia 8 de Março de 1914, o “dia triunfal”, através de “trinta e tantos poemas” escritos “numa espécie de êxtase” (que resultariam em O Guardador de Rebanhos).
A Natureza é-lhe tão essencial, como estranhas lhe são a filosofia e as grandes ideias. Por isso, escreveu “pensar é estar doente dos olhos“.
Álvaro de Campos dá a um dos seus textos o revelador título: “Notas para Recordação do Meu Mestre Caeiro (algumas delas)“. E se Campos exclamou «Tirem-me daqui a metafísica!», já Caeiro parece simplesmente ignorá-la. Prefere não pensar muito, ater-se às coisas reais e simples, fugir do obscuro e dúbio. Toda essa simplicidade está em linha com a sua condição de “guardador de rebanhos”, título da obra maior do seu espólio e cujo manuscrito “sempre acompanha” Ricardo Reis. Enaltece o ser «natural e calmo», as sensações, o ser objectivo. Procura a serenidade, o não complicar; e foge da ansiedade e do desespero.
Tão simples é tudo em seu redor, que é órfão de pai e mãe, vivendo pobremente com uma tia-avó na sua quinta do Ribatejo, até regressar a Lisboa, onde faleceu pouco depois, vítima de tuberculose. Nascer, viver e morrer são o que há de mais natural, sem prejuízo de amar o simples que o rodeia, desprezando totalmente misticismos, subjectividades, introspecções.
Escreveu mais de cem poemas, distribuídos por “O Guardador de Rebanhos”, “O Pastor Amoroso” e “Poemas Inconjuntos”.