(N.) out.1890, Tavira  //  (F.) 1935 (aos 45 anos)


Foi o único dos heterónimos que teria conhecido Fernando Pessoa, em 1890…

Depois de uma educação vulgar de liceu, deixou «em quase três quartos» o curso de engenharia naval em Glasgow, viajou pelo Oriente e viveu em Londres e Escócia.

O seu regresso a Lisboa, aos 36 anos, é marcado pelo desemprego e sentimentos de decadência. No Ribatejo conhece Caeiro, que se torna seu Mestre, e o ajuda a ser ele próprio.

Nas palavras de Fernando Pessoa em carta a Adolfo Casais Monteiro, Álvaro de Campos seria o que se pode designar um excessivo-controlado: «Se eu fosse mulher — na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas — cada poema de Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem — e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia».

E Pessoa acrescenta: «Quando foi da publicação de “Orpheu”, foi preciso, à última hora, arranjar qualquer coisa para completar o número de páginas. Sugeri então ao Sá-Carneiro que eu fizesse um poema “antigo” do Álvaro de Campos — um poema de como o Álvaro de Campos seria antes de ter conhecido Caeiro e ter caído sob a sua influência. E assim fiz o Opiário, em que tentei dar todas as tendências latentes do Álvaro de Campos, conforme haviam de ser depois reveladas, mas sem haver ainda qualquer traço de contacto com o seu mestre Caeiro. Foi dos poemas que tenho escrito, o que me deu mais que fazer, pelo duplo poder de despersonalização que tive que desenvolver. Mas, enfim, creio que não saiu mau, e que dá o Álvaro em botão».

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